Um pedaço da Suíça no Vale do Paraíba
A Fazenda Neuchatel nasceu do encontro entre imigrantes suíços e o auge do café paulista. Quase desapareceu sob o próprio entulho. E voltou, tijolo por tijolo.
O café e os Perrenoud
No século XIX, Guaratinguetá era um dos grandes nomes do café no Vale do Paraíba. Foi nesse cenário que Ulisses Alexis Perrenoud, vindo da região de Neuchâtel, na Suíça, se casou com Mariana Francelina de Melo, em 1870, e ergueu a sede da fazenda em 1885, batizada em homenagem a um castelo de sua terra natal.
A casa destoa de todas as fazendas da região: um sobrado de linhas europeias, com arcos elaborados, fundações de pedra e proporções que lembram as construções do cantão de origem. No porão, uma raridade de engenharia rural: uma roda d'água gigante, de cerca de seis metros, instalada no próprio corpo da casa e alimentada por um aqueduto de pedra que canalizava a água de uma mina da propriedade. Era ela que movia a moenda e beneficiava o café. E segue lá, preservada, como peça central da visita. Do lado de fora, um moinho de fubá com roda d'água própria, também original, completa o conjunto.
O esquecimento
Com a decadência do café no Vale, a fazenda atravessou o século XX em silêncio. Quando foi reencontrada, em 2001, o casarão estava em ruínas: os salões guardavam mais de três metros de entulho, e a mata avançava sobre as paredes.
O Projeto Fênix
A virada começou em 2001, quando Ronald James Clark, advogado americano radicado em Chicago, financiou a reconstrução completa da propriedade. Quem esteve à frente do projeto foi Michele Monteiro, designer de interiores, responsável pela decoração e pelo acervo do casarão, com o apoio da arquiteta Regina Maia Galvão. Em dois anos de obra, o trabalho seguiu fotografias e documentos originais da época da família Perrenoud: arcos, esquadrias e cada detalhe da fachada foram refeitos com base nos registros históricos.
Foi Michele quem batizou o projeto: Fênix, porque a casa renasceu das próprias ruínas, com as fundações e as paredes de pedra do porão totalmente preservadas. Os tijolos da olaria original, marcados com o "U" de Ulisses, uma estrela e uma lua, ainda aparecem pela propriedade e viraram parte do roteiro de visita.
Mais de 140 anos em cinco capítulos
- 1870
Casamento de Ulisses Perrenoud com Mariana Francelina de Melo, que fixa a família em Guaratinguetá.
- 1885
Ulisses ergue a sede em estilo europeu, com roda d'água interna de seis metros e aqueduto de pedra.
- Século XX
Decadência do café no Vale do Paraíba; a casa é abandonada e soterrada pelo tempo.
- 2001
Ronald James Clark financia a reconstrução; Michele Monteiro assume a frente do Projeto Fênix, com o apoio da arquiteta Regina Maia Galvão.
- Hoje
Restaurada, a fazenda recebe visitas, eventos, retiros, hóspedes e produções de cinema. E segue resgatando a história de Guaratinguetá.
Venha ouvir o resto pessoalmente
A visita guiada percorre o casarão, a roda d'água e os causos que não cabem aqui. Agende pelo WhatsApp.
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